O mundo dos projetos em TI
Paulo Ladeira
Paulo Ladeira
22/08/10
Dando continuidade ao post anterior (Técnicas para uma boa negociação – Parte 1), vou comentar algumas outras técnicas abordadas na disciplina cursada e de suma importância para atingir os objetivos desejados em uma negociação.
Apesar do que muita gente pensa, para ter sucesso em uma negociação, não basta apenas ser um bom negociador durante esta. É preciso ter realizado um planejamento correto para a negociação. Muitas ações devem ser feitas antes de tal para evitar decisões erradas durante. Uma frase de Abraham Lincoln reflete bem a importância do planejamento: “Se tivesse 9 horas para cortar uma árvore, passaria 6 horas afiando meu machado.”. Logo, a seguir, veremos algumas técnicas importantes, tanto antes, quanto durante a negociação.
BATNA:
A técnica BATNA (Best Alternative To a Negotiated Agreement, também conhecida em português de MAANA, Melhor Alternativa À Negociação de um Acordo) realizada na fase de planejamento da negociação, consiste em, dada as possíveis alternativas ao acordo, deve ser levantada toda possível consequência de cada alternativa e com base nesta, decidir qual a melhor alternativa, que será o seu BATNA.
É importante, caso tenha acesso as informações necessárias e verídicas, avaliar o BATNA da outra parte envolvida na negociação buscando anteceder as suas possíveis ações estratégica.
ZAP:
Sigla para “Zona de acordo possível”, ZAP trata-se do intervalo de valores que, caso a negociação seja efetuada neste valor, ambos sairão satisfeitos. Para encontrar esta “zona” é necessário levantar o seu valor de reserva para a negociação e o valor de reserva da outra parte envolvida. Estes valores irão determinar as extremidades da ZAP.
Por exemplo, em uma negociação de imóvel, sabemos que o vendedor não irá aceitar menos que 200 mil e o comprador aceita pagar até 230 mil pelo apartamento. Logo, temos uma zona de acordo possível entre os 200 mil e o 230 mil.
Após realizar uma análise sobre a zona de acordo possível deve ser avaliado se é conveniente apresentar uma primeira proposta ou ouvir a primeira proposta. Este conceito esta relacionado à nossa próxima técnica.
Ancoragem:
O processo de ancoragem trata-se dos valores iniciais lançados em uma negociação que funcionam como âncoras e afetam o resultado final da negociação. Estudos mostram que os valores acordados ao final de uma negociação são mais afetados pelas ofertas iniciais do que as várias concessões realizadas durante a mesmo.
Caso no seu planejamento você decida ancorar a negociação, e, ao sugerir o seu preço a outra parte começar a questionar este valor, fique satisfeito. Significa que a outra parte aceitou a sua ancoragem e a partir dali você deve trocar concessões para chegar um acordo que possivelmente será bom para você (a não ser que tenha ancorado errado).
Porém, caso a outra parte que ancore primeiro, algumas alternativas possíveis para fugir desta “armadilha” são:
Concessões:
Realizar uma concessão nada mais é do que rever a posição em que se encontra e sustenta a um tempo, buscando chegar ao acordo. Não existe negociação sem concessão. Por isto, é importante ressaltar alguns pontos referentes a esta técnica:
Comportamento humano:
Como negociação é um processo de tomada de decisão que envolve mais de uma parte interessada, você sempre dependerá da outra parte para chegar ao acordo. Logo, é extremamente importante entender o comportamento ideal em uma negociação, tanto da sua parte, como da outra envolvida. Logo, alguns pontos são importantes ressaltarmos e termos uma atenção em especial:
Oposição à Fidel: “A situação em Cuba está tão ruim que até as universitárias estão virando prostitutas”.
Resposta de Fidel Castro: “Nada disso! A situação é tão boa que até as prostitutas são universitárias”.
Finalizando, técnicas de negociação são interessantes, pois, apesar de comprovado o resultado ao utilizar estas, por estarmos negociando com pessoas, não obrigatoriamente estas trarão o resultado esperado. E é ai que surge o grande negociador, que sabe utilizar as técnicas certas, no momento certo, dado o ser humano que se encontra do outro lado da negociação.
Bem pessoal, é isto. Espero que tenha conseguido repassar para vocês um pouco do conceito de negociação que tive contato. Até o próximo post.
04/08/10
Recentemente cursei uma disciplina muito interessante na pós-graduação que estou fazendo e, por isto, resolvi trazer alguns pontos para o blog. Esta disciplina abordou de forma ampla os conceitos relacionados a uma boa negociação. Apesar de saber da importância de todos os pontos vistos o que mais me chamou a atenção e que me motivou a escrever este post foram as técnicas de negociação apresentadas, onde foram abordados conceitos simples, de fácil aplicação no dia a dia e que muitas vezes trazem resultados consideráveis.
Irei dividir o assunto em duas partes: na primeira parte irei explicar o conceito de negociação e explorar algumas variáveis importantes neste processo e, na segunda parte, irei abordar outras técnicas de negociação.
Antes de ir mais afundo nas técnicas, vamos alinhar o conceito de negociação. Negociar não é impor nada. Negociar trata-se de qualquer processo de decisão que envolva mais de uma pessoa, onde se busca obter um resultado melhor do que se não tivesse negociado. Em outras palavras, negociar pode ser visto como o processo de convencer pessoas/organizações a ceder o que desejamos.
Dado o conceito de negociação, começamos a visualizar algumas variáveis que podem ser utilizadas neste processo. Algumas delas iremos discutir abaixo:
PODER
Dado o poder que uma pessoa detém na negociação em questão é possível chegar a resultados melhores do que caso não existisse tal. Algumas características importantes do poder:
RISCO
Negociar é um processo continuo de correr risco. Para isto, para aumentar a eficiência da sua negociação é sempre bom ser racional para correr os riscos, tendo estes calculados, sabendo diferenciar coragem do bom senso, sabendo os impactos de ambas as partes caso o objetivo da negociação não seja atingido e não se deixar levar por emoções.
INFORMAÇÃO
Ter o maior número de informações possíveis para o processo em questão é de extrema importância para o sucesso da negociação. Logo, antes de começar qualquer fase de negociação recomenda-se aprofundar-se ao máximo o assunto, realizando levantamentos como, quais os poderes o outro detém ou qual a tradição em negociação da outra parte.
Já durante o processo de negociação, deve-se buscar “sugar” o máximo de informações possíveis da outra parte, utilizando de algumas técnicas como: ouvir o máximo possível, perceber informações ocultas e comunicação não verbal, etc. Para estes pontos, existe um livro disponível para download gratuito na internet chamado “O corpo fala” de Pierre Weil & Roland Tompakow.
TEMPO
Muitas vezes, buscando chegar a acordos o mais rápido possível, negociadores tendem a ter pressa no processo de negociação e, com isto, tomar decisões equivocadas. Buscando evitar este tipo de decisão é sempre bom ter em mente que, na grande maioria das vezes, os prazos são negociáveis e a paciência compensa. Logo, podemos fazer alguns levantamentos baseado na variável tempo como, quais tipos de prazo as partes estão envolvidas, identificar as táticas do outro, etc.
Apesar de apresentadas separadamente, na prática as 3 variáveis aqui vistas (Poder, Informação e Tempo) são aplicadas simultaneamente onde costuma-se utilizar do tempo para obter informações buscando aumentar a sua fonte de poder.
Resumindo…
Para se tornar um bom negociador:
A parte 1 deste post é isto. No próximo post irei abordar técnicas como BATNA, Ancoragem, ZAP, e os efeitos dos comportamentos humanos no processo de negociação. Até lá.
17/07/10
É cada vez mais comum nas organizações atuais, principalmente as que trabalham exclusivamente com projetos, a necessidade de adotarem indicadores nos projetos executados nesta. Estes indicadores buscam embasar os gerentes dos projetos e a diretoria da empresa a estabelecerem metas estratégicas, acompanharem a execução, entre outros.
Cada empresa contém os seus indicadores e estes são definidos utilizando vários fatores, como, o nível da maturidade de cada empresa e a forma de como esta é estruturada (projetizada, matricial ou funcional). Muito vinculado à maturidade da empresa, é comum vermos indicadores sendo definidos nas fases de planejamento do projeto, e avaliados nas fases de encerramento do mesmo (quando são avaliados). Porém, nenhum acompanhamento é realizado durante a execução do projeto. Com isto, esses indicadores servirão apenas para classificar como foi o projeto e ficar como lição aprendida para os próximos, não servindo para acompanhar o andamento do projeto e traçar ações para recuperá-lo, caso necessário.
Neste artigo, irei abordar dois indicadores bastante utilizados para monitorar o andamento do projeto com relação a custo e a cronograma/prazo, CPI (Cost Performance Index) e SPI (Schedule Performance Index), respectivamente. Estes indicadores servem para monitorar o projeto como um todo, ou apenas uma entrega da WBS.
Antes de entrar na definição de cada indicador, e podermos calcular os seus respectivos valores, necessitamos de ter em mãos outras informações do projeto, que são:
Valor planejado (PV – Planned Value) – Custo planejado do projeto, relacionado à linha de base de custo do projeto.
Valor agregado (EV – Earned Value) – Trata-se do custo planejado do projeto para o trabalho executado até o momento. Ou seja, é o valor dos serviços realmente executados até o momento.
Exemplo: Caso tenha planejado de entregar 4 paredes iguais, sendo o custo para construção de cada parede ser de 1000 reais e eu entreguei até o momento duas paredes e meia, o valor agregado do meu projeto neste momento é de 2500 reais, independente do custo que eu tive para fazer estas 2,5 paredes.
O valor agregado de cada projeto trata-se de uma saída da EVA (Earned Value Analysis), recentemente substituída por EVM (Earned Value Management) pelo PMI para evitar a confusão do conceito EVA®, referência a Economic Value-added.
Custo real (AC – Actual Cost) – Custo total do trabalho até o momento.
Variação de prazo (SV – Schedule Variance) – É a diferença entre o valor agregado até o momento (EV) e o valor planejado (PV).
SV = EV – PV
Variação de custo (CV – Cost Variance) – É a diferença entre o valor agregado (EV) e o custo real (AC).
CV = EV – AC
Pronto, com base nestas informações, já conseguimos calcular os indicadores CPI e SPI, aqui abordados.
CPI (Cost Performance Index) – Trata-se do valor agregado do projeto(EV) divido pelo custo real(AC) do mesmo, ambos até o momento do cálculo.
CPI = EV/ AC
Obs: Por se tratar de um indicador de custo, a variável valor planejado (PV) não é levada em consideração, pois não importa se estamos dentro do planejado, importa somente o quanto gastamos até o momento para o já construído.
Analisando a fórmula acima mencionada, podemos tirar 3 cenários:
Voltando ao exemplo acima, das 4 paredes, se no momento em que já entreguei 2,5 paredes (EV = 2500 reais) eu gastei 2000 reais (AC), logo o CPI do meu projeto é de 1,25, o que significa que para cada 1 real realmente gasto no projeto estou agregando 1,25 reais em funcionalidade.
Por outro lado, se até o momento gastei 3000 reais (AC) para as mesmas 2,5 paredes (EV = 2500), meu CPI é de 0,83, o que significa que para cada 1 real realmente gasto no projeto, só estou agregando 83 centavos em “resultado”.
SPI (Schedule Performance Index) – Trata-se do valor agregado até o momento dividido pelo valor planejado até o momento.
SPI = EV/ PV
Obs: Por se tratar de um indicador de cronograma, a variável custo atual (AC) não é levada em consideração, pois não importa o tanto que gastamos até o momento.
Analisando a fórmula do SPI, também chegamos aos mesmos cenários do CPI:
Para o mesmo exemplo acima, se no momento da medição eu tinha planejado entregar 2 paredes, meu SPI está em 1,25, logo produzi até o momento 25% a mais do planejado.
Entretanto, se no momento da medição tinha planejado entregar 3 paredes, meu SPI é 0,83, logo, estou 17% atrasado em relação ao planejado.
Uma consideração importante entre o CPI e SPI, é que o CPI é válido de ser utilizado durante todo o projeto, inclusive após o término do projeto. Já o SPI ele começa a perder valor quando o prazo de finalização planejado do projeto é ultrapassado, e o projeto ainda não está finalizado. Neste momento o valor planejado se mantém constante (100% do projeto), ocasionando em caso realizarmos uma medição hoje e detectarmos que agregamos certa quantidade de valor ao projeto e daqui dois meses realizarmos outra medição, e detectarmos o mesmo valor agregado, chegamos a um mesmo SPI, um pouco inconsistente para um indicador de prazo, não acha?
Outro momento que o SPI não tem muita utilidade é após o término do projeto. Independente do tempo gasto durante o projeto, se você entregou o 100% planejado seu SPI ao término do projeto é sempre 1, mesmo que o tempo gasto foi o dobro do planejado.
Pronto é isto… Agora que você já sabe como calcular estes dois indicadores, você pode controlar o custo e o prazo do seu projeto, usar a combinação destes para definir ações (Ex: Caso esteja com o CPI maior que 1 e o SPI menor que 1, pode tomar alguma decisão como aumentar a equipe para recuperar o prazo perdido apesar de ter um custo maior) e até criar metas na sua empresa com base nestes.
Até o próximo post…
29/05/10
Dando continuidade ao estudo para certificação, iremos dar continuidade aos processos existentes no PMBOK dentro da gestão da Integração do projeto. Neste post, irei falar sobre o processo “Orientar e gerenciar a execução do projeto”.
Este processo trata-se da realização do trabalho definido no plano de gerenciamento do projeto, saída do processo anterior, buscando atingir os objetivos do projeto. Algumas atividades deste processo:
Entradas do processo:
Ferramentas e técnicas utilizadas para Orientar e gerenciar a execução do projeto:
Saídas desse processo:
29/05/10
Dando continuidade ao estudo para certificação, iremos dar continuidade aos processos existentes no PMBOK dentro da gestão da Integração do projeto. Neste post, irei falar sobre o processo “Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto”.
OBS: No PMBOK 3º edição, antes deste processo, existia outro processo chamado de “Desenvolver a declaração do escopo preliminar”. Porém, no PMBOK 4º edição, este processo foi retirado (ou “deslocado”, uma vez que a maioria das suas atividades agora está dentro do processo “Desenvolver o termo de abertura”).
Este processo tem como finalidade documentar todas as ações necessárias para definir, preparar, integrar e coordenar todos os planos oriundos das áreas auxiliares existentes no projeto. Por isto, será visto a frente que este processo tem como entrada os diversos planos criados nas outras áreas de conhecimento. Alguns exemplos de planos auxiliares:
Este processo também define como o mesmo será executado, monitorado, controlado e encerrado.
O plano de gerenciamento do projeto depois de criado é constantemente atualizado por um processo visto posteriormente chamado “Realizar o controle integrado de mudanças” que contém como saídas atualizações no plano de gerenciamento do projeto.
Este processo tem como entradas:
A única ferramenta e técnica utilizada para desenvolver o plano de gerenciamento de projeto é:
Saídas geradas no processo:
27/05/10
Olá a todos.
Cada dia mais o SCRUM, framework iterativo e incremental para desenvolvimento ágil e gerenciamento do projeto (vou aqui chamar de metodologia. Desculpem aqueles que não concordarem com o nome dado), está presente nas empresas de desenvolvimento de software. É comum entrarmos em uma empresa e logo visualizarmos os quadros cheios de post-its coloridos.
Esta crescente também tem sido apoiada pelos próprios clientes, onde é cada vez mais comum o cliente que já trabalhou com algum projeto que tenha utilizado esta metodologia (Mesmo que não seja de forma fiel ao que o SCRUM prega, e não é o foco deste post discutir se neste caso trata-se de SCRUM ou não J) solicitar que sejam utilizados alguns artefatos do SCRUM.
Como toda metodologia, apresenta pontos positivos e pontos negativos. E, também não é o objetivo deste post discutir o que é melhor, SCRUM, RUP ou outra forma qualquer. Queria aqui, apenas dar um relato sobre a utilização do SCRUM em produtos.
No último treinamento de SCRUM que fiz, um dos ouvintes declarou a seguinte frase que me marcou: “Sei não. Vejo que para projetos grandes o SCRUM não vai funcionar. A equipe vai se perder durante o decorrer deste.”.
Hoje trabalhamos no desenvolvimento de um produto, onde temos vários clientes utilizando-o, e necessitando de frequentes personalizações.
Por não termos um escopo fechado (mudanças surgem a todo o momento) e o produto ser bastante estável, onde a grande maioria das solicitações são evoluções do produto e não serem críticas, tornou-se possível aplicarmos o SCRUM neste “projeto” (Coloquei projetos entre aspas pois não temos uma data de término prevista. Como, de acordo com a definição do PMBOK, projeto é todo esforço com data de início e término prevista que visa construir um produto único, este pode não ser considerado um projeto).
Como a grande maioria dos projetos que utilizam SCRUM, tivemos que fazer uma adaptação. Pelo fato de termos vários clientes, tornou-se inviável termos um único representante do cliente para assumir o papel do PO. Logo, foi preciso alocar um membro da empresa para centralizar as necessidades dos vários clientes e então realizar o seu papel.
A cada sprint encerrada, vejo o quanto que o framework é útil e o passar do tempo só agrega ainda mais valor, confirmando os benefícios que o SRUM prega. Estamos finalizando a 18º sprint e hoje, os processos hoje são inerentes as pessoas. Ocorre de forma prática e sem percebermos.
Como toda mudança, no início demandou um pouco mais de rigor, principalmente por parte do SM. Porém, com o tempo, está ficando comprovado (pelo menos para mim) que o fato de ser um projeto longo só tem aumentado a eficiência do SCRUM e a segurança de todos os envolvidos com esta metodologia.
“Pequeno” relato da utilização do SCRUM durante um período longo que está dando certo, contrariando algumas opiniões.
Abraços e até o próximo post.
Utilizando SCRUM em produtos
Cada dia mais o SCRUM, framework iterativo e incremental para desenvolvimento ágil e gerenciamento do projeto (vou aqui chamar de metodologia. Desculpem aqueles que não concordarem com o nome dado), está presente nas empresas de desenvolvimento de software. É comum entrarmos em uma empresa e logo visualizarmos os quadros cheios de post-its coloridos.
Esta crescente também tem sido apoiada pelos próprios clientes, onde é cada vez mais comum o cliente que já trabalhou com algum projeto que tenha utilizado esta metodologia (Mesmo que não seja de forma fiel ao que o SCRUM prega, e não é o foco deste post discutir se neste caso trata-se de SCRUM ou não J) solicitar que sejam utilizados alguns artefatos do SCRUM.
Como toda metodologia, apresenta pontos positivos e pontos negativos. E, também não é o objetivo deste post discutir o que é melhor, SCRUM, RUP ou outra forma qualquer. Queria aqui, apenas dar um relato sobre a utilização do SCRUM em produtos.
No último treinamento de SCRUM que fiz, um dos ouvintes declarou a seguinte frase que me marcou: “Sei não. Vejo que para projetos grandes o SCRUM não vai funcionar. A equipe vai se perder durante o decorrer deste.”.
Hoje trabalhamos no desenvolvimento de um produto, onde temos vários clientes utilizando-o, e necessitando de frequentes personalizações.
Por não termos um escopo fechado (mudanças surgem a todo o momento) e o produto ser bastante estável, onde a grande maioria das solicitações são evoluções do produto e não serem críticas, tornou-se possível aplicarmos o SCRUM neste “projeto” (Coloquei projetos entre aspas pois não temos uma data de término prevista. Como, de acordo com a definição do PMBOK, projeto é todo esforço com data de início e término prevista que visa construir um produto único, este pode não ser considerado um projeto).
Como a grande maioria dos projetos que utilizam SCRUM, tivemos que fazer uma adaptação. Pelo fato de termos vários clientes, tornou-se inviável termos um único representante do cliente para assumir o papel do PO. Logo, foi preciso alocar um membro da empresa para centralizar as necessidades dos vários clientes e então realizar o seu papel.
A cada sprint encerrada, vejo o quanto que o framework é útil e o passar do tempo só agrega ainda mais valor, confirmando os benefícios que o SRUM prega. Estamos finalizando a 18º sprint e hoje, os processos hoje são inerentes as pessoas. Ocorre de forma prática e sem percebermos.
Como toda mudança, no início demandou um pouco mais de rigor, principalmente por parte do SM. Porém, com o tempo, está ficando comprovado (pelo menos para mim) que o fato de ser um projeto longo só tem aumentado a eficiência do SCRUM e a segurança de todos os envolvidos com esta metodologia.
“Pequeno” relato da utilização do SCRUM durante um período longo que está dando certo, contrariando algumas opiniões.
Abraços e até o próximo post.
26/05/10
Começando o “projeto” criado no item anterior (Preparando para a certificação CAPM), irei abordar o primeiro processo dentro da área de conhecimento integração, o “Desenvolver o termo de abertura do projeto”.
No primeiro processo de cada área, irei dar uma breve (é bem breve mesmo) descrição do que se trata a nova área que estamos inicando.
Os processos de gerenciamento de integração do projeto inclui os processos e as atividades para identificar, definir, combinar, unificar e coordenar os demais processos (das demais áreas) e elementos do gerenciamento de projetos ao longo do ciclo de vida do mesmo.
O processo “Desenvolver o termo de abertura do projeto”, busca estabelecer um documento que autoriza formalmente o início do projeto, ou de uma fase, e contenha o levantamento ds requisitos inicias do projeto, de modo que satisfaça as partes interessadas. Neste documento, um gerente de projeto é designado e autorizado para utilizar recursos nas atividades do projeto. Este projeto pode ser autorizado por um sponsor (patrocinador), PMO (escritório de projetos) ou uma equipe responsável pela gestão do portfólio da empresa.
Como todo processo no PMBOK, este processo é dividido em entradas, ferramentas e técnicas e saídas.
Entradas utilizadas no processo:
Ferrramentas e técnicas utilizadas no processo:
Saídas geradas no processo:
Este é o processo “Desenvolver o termo de abertura do projeto”.
Pode ter ficado um pouco solto, mas acredito que ao longo da criação dos outros processos e das outras áresa, o entendimento vai aumentando.
Até o próximo processo, “Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto”.
26/05/10
Olá a todos.
Buscando um objetivo pessoal, que é tirar uma certificação do PMI, irei tentar aproveitar os meus estudos e enriquecer o blog com informações úteis para o leitor referentes à certificação.
Resumidamente, pretendo criar da categoria PMI deste blog, pelo menos no início, um acesso rápido para os conteúdos necessários para quem tem interesse em alguma certificação deste instituto.
A princípio, irei tentar a certificação CAPM, por não conseguir comprovar os requisitos necessários para a certificação PMP. Esta certificação tem como público alvo membros de equipes de projetos, que tem interesse em comprovar o conhecimento adquirido em relação à gestão de projetos. A avaliação desta certificação tem como referencia bibliográfica base o PMBOK, “Guia de conhecimento em gerenciamento de projetos” (Em inglês: Project Management Body of Knowledge) criado e mantido pelo próprio PMI.
Acredito que uma leitura complementar sobre o PMI e o PMBOK seja útil neste momento.
Minha idéia é criar um post inicial para cada processo, de cada área de conhecimento, e posteriormente abordar as outras seções do PMBOK, como os grupos de processos. Pensei em dividir assim para que os posts fiquem pequenos, de fácil leitura. Um risco inicial que vejo é o fato de hoje existir 42 processos no PMBOK, e acabar gerando muitos posts. Porém, usando os termos utilizados na gestão de riscos, vou aceitar este risco e caso venha a impactar o “projeto” iremos realizar ações para diminuir o impacto.
Irei seguir a mesma sequência apresentada pelo PMBOK, exceto com relação ao capítulo 3, que aborda os grupos de processos de gerenciamento de projetos, que pretendo abortar por último ligando todas as áreas vistas.
Logo, abaixo segue o cronograma esperado, com os respectivos capítulos do PMBOK:
A princípio, os capítulos 1 (Introdução) e 2 (Ciclo de vida e organização do projeto) do PMBOK não serão abordados aqui. Logo, uma leitura adicional pode ser útil para melhor entendimento.
26/05/10
Recentemente foi publicado na revista BHTI, um tópico referente à alta rotatividade dos profissionais da área de TI, com o título “Turnover: quem dá mais?”. Esta matéria gerou uma repercussão muito grande entre os profissionais desta área, o que me motivou a escrever um pouco sobre isto.
O turnover trata-se de uma realidade hoje no mercado de TI. Cada vez mais as empresas estão entrando nas suas concorrentes para tentar capturar o seu profissional. Este efeito, em minha opinião, gera uma instabilidade e insegurança muito grande em todos os envolvidos. Quem me garante que a equipe que está começando o meu projeto agora, irá ficar na minha empresa até o término deste? E mais, mesmo conhecendo minha equipe hoje e sabendo que esta é capaz, como posso arriscar e pegar um projeto com prazo curto sendo que não tenho a garantia da permanência de todos os membros desta?
Sei que não tenho a solução, e acredito que esta não vai ser encontrada ao término desta discussão. Mas acredito que seja válido refletirmos um pouco sobre o assunto.
Se olharmos os comentários da matéria acima, vemos que a grande maioria elabora severas críticas as empresas. Mas será que as empresas são realmente as grandes responsáveis pelo Turnover? E mais, será que trata-se da solução para o problema? Será que para a empresa que estou indo não será pior do que a atual?
Não estou de forma alguma querendo omitir a responsabilidade das empresas perante este efeito. Só estou tentando entender todas as partes envolvidas.
Por trabalhar em uma empresa formada por profissionais com média de idade extremamente baixa (fato que acredito ser comum na área de TI), vejo na grande maioria certa empolgação por crescimento e reconhecimento rápido. E buscando este crescimento, principalmente financeiro, muitos profissionais passam durante anos transitando entre várias empresas. Esta ação, na grande maioria das vezes, realmente gera um crescimento financeiro em curto prazo.
Mas o que é reconhecimento e crescimento para você? É somente estar ganhando mais? Ou é ser reconhecido pelo que lutou para conseguir e conseguiu ao longo do projeto em que trabalhou ou trabalha? Se ficar transitando entre várias empresas periodicamente, será sempre visto como uma promessa, e não uma realidade.
Nas empresas em que trabalhei a grande maioria das pessoas com mais “poderes” (Gerentes, diretores, etc.) são pessoas com muito tempo de casa e que cresceram dentro desta, sem necessidade de ter que permutar entre várias outras para crescer. E, me colocando como dono da empresa, em quem eu vou preferir investir? Em uma pessoa que está comigo a vários anos e que eu conheço as suas competências, habilidades e defeitos, ou uma pessoa que está no mercado de trabalho com potencial a ser um bom profissional?
Vejo que, na maioria dos cargos de “altos níveis”, as empresas preferem arriscar menos e investir no que tem internamente para crescimento (Seja através de cursos, treinamentos, apoio a certificações, etc.). Já para os cargos de “níveis menores”, por ter um impacto menor caso não dê certo, as empresas “arriscam” em profissionais no mercado de trabalho. Claro, que sempre tem exceção.
Concluindo, acredito que em um curto espaço de tempo, o turnover traz sim uma elevação salarial para o profissional. O que, não necessariamente, significa crescimento e reconhecimento. Mas, em longo prazo, este evento pode prejudicar o profissional colocando-o, mesmo com um bom salário, em níveis de reconhecimento menores quando comparado a outros profissionais “antigos”.
Sei que este tópico é polêmico, e a minha opinião é baseada nas minhas experiências e nas minhas percepções. Mas é a minha opinião.
O que acham?
Abraços e até o próximo post.